Sawé, o grito ancestral | AypapayŨ Ewãwãap a'õ
@ book cover + illustration | mauricio negro | UKA EDITORIAL, 2023

texto | daniel munduruku
tradução | honésio munduruku
capa e ilustrações | Mauricio Negro
produção | Ab Aeterno
coordenação editorial e edição | Camile Mendrot | Ab Aeterno
Preparação | Tatiane Ivo | Ab Aeterno
revisão | Sílvia Correr | Ab Aeterno
projeto gráfico | Ana Clara Suzano | Ab Aeterno
diagramação | Priscila Wu | Ab Aeterno
EDITORA | Uka Editorial, 2023 
PARCERIA | Livraria Maracá + FIOCRUZ
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coordenação geral | Ana Claudia Santiago de Vasconcellos
coordenação adjunta | Paulo Cesar Basta
realização | Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio – Fundação Oswaldo Cruz 
financiamento | Edital INOVA PMA / Edital INOVA Saúde Indígena 
parcerias | Associação Indígena Pariri / Projeto Xingu / Escola Paulista de Medicina / Unifesp
sawÉ! is how the Munduruku indigenous people announced that they were going into battle. It was a cry to frighten the enemy, and recalls the strategic courage that these people developed throughout their history of resistance. But that is not what Daniel Munduruku's new book is about. The sawÉ in the title recalls the ancestral cry that is still in the memory of this brave people. Thinking about it, the author established a contact between the past and the present. The past is represented by the hero creator of the Munduruku who, summoned to make himself present, visit the territory he created and discover how humans have been destroying nature in the pursuit of wealth and power. It's the story of a reconnection to say that there's only one way to keep the sky suspended: to unite everyone with the sole objective of saving nature from complete destruction. Is this still possible? Read the book and find out.

sawÉ! é como os indígenas Munduruku anunciavam que estavam entrando em batalha. Era um grito para assustar o inimigo, e relembra a coragem estratégica que esse povo desenvolveu ao longo de sua trajetória de resistência.
Mas não é disso que trata o novo livro de Daniel Munduruku. O sawÉ do título rememora o grito ancestral que ainda hoje está na memória desse povo valente. Pensando nisso, o autor estabeleceu um contato entre o passado e o presente. O passado é representado pelo herói criador dos Munduruku que, convocado para se fazer presente, visita o território que criou e vai descobrindo como os humanos foram destruindo a natureza na busca de riqueza e poder. É a história de um reencontro, para dizer que só há um jeito de manter o céu suspenso: unir todos com o único objetivo de salvar a natureza da completa destruição. Será que isso ainda é possível? Leia o livro e descubra.
@ book cover + illustration | mauricio negro | UKA EDITORIAL | FIOCRUZ 2023
The second research project by Fiocruz organizers aimed to produce educational and communication resources, such as textbooks, literary books, songs, films and courses to involve indigenous communities in debates on the problems caused by gold mining in the Amazon.
In the workshops we conducted, a series of drawings and graphics were produced based on the clippings indicated in the survey or through conversations and exchanges. While I led the art direction of art activities with educators, children and co-workers, Daniel Munduruku led the production of an unprecedented literary text, under the guidance of Jairo Saw Munduruku. Instead of the single publication as originally planned, the possibility of producing two books was envisaged, one didactic focused on the information obtained by the researchers and the other, literary, with the purpose of updating the cosmogonic tradition with the introduction of mining in the narrative.
And so we formatted two distinct and complementary works. In the graphic project half of the illustration appears on each of the covers which refer to life and also to death.

O segundo projeto de pesquisa dos organizadores da Fiocruz teve o objetivo de produzir recursos educacionais e de comunicação, como livros didáticos, livros literários, canções, filmes e cursos para envolver as comunidades indígenas nos debates sobre os problemas causados pelo garimpo de ouro na Amazônia. 
Nas oficinas que conduzimos foram produzidos uma série de desenhos e grafismos a partir dos recortes indicados na pesquisa ou pelas conversas e trocas. Enquanto conduzi a direção de arte das atividades de arte com educadores, crianças e os colegas de trabalho, Daniel Munduruku encabeçou a produção de um texto literário inédito, sob o acompanhamento da liderança Jairo Saw Munduruku. Em vez da única publicação como originalmente planejada, vislumbrou-se a possibilidade de produzir dois livros, um didático focado nas informações obtidas pelos pesquisadores e outro, literário, sob o propósito de atualizar a tradição cosmogônica com a introdução do garimpo na narrativa.
E assim, FORAM CONFIGURADAS duas obras distintas e complementares. No projeto gráfico metade da ilustração aparece em cada uma das capas, que remetem à vida e à morte. 

The tapajós river and its originally green waters | O rio tapajós e suas águas originalmente verdes      @ video_Mauricio Negro

The insight was suggested by Jairo Saw Munduruku, when asked what image immediately came to mind for the cover. He reacted with this gesture, with his arms open and articulated, to represent the branches of a tree. So I made a portrait of Karosakaybu, creator and transformer of forests, rivers, humanity and all living beings on the face of the Earth. His torso is the trunk of the tree. His arms support a verdant canopy. In addition to branches, its arms, hands and fingers also go further and suggest rivers, igarapés and igapós, making the canopy the Amazon forest itself.

O mote criativo foi sugerido pelo Jairo Saw Munduruku, quando questionado que imagem de imediato lhe vinha à cabeça para a capa. Ele reagiu com esse gesto, de braços abertos articulados, para representar a ramagem de uma árvore. Fiz então o retrato de Karosakaybu, criador e transformador das florestas, dos rios, da humanidade e de todos os seres vivos na face da Terra. Seu torso é o tronco da árvore. Seus braços sustentam uma copa verdejante. Além de galhos, seus braços, mãos e dedos também vão além e sugerem rios, igarapés e igapós, fazendo da copa a própria floresta amazônica. 
Among the images I made for the book Sawé, the ancestral cry | AypapayŨ Ewãwãap a'õ, I really like this double-page illustration that shows a fist meeting that produces, at the intersection of the knuckles, the image of a red ant. The insect refers to the name Mundukuru given by rival Parintintins to the Wuy jugu (original self-name) because the warriors munduruku attacked their territories en masse like red ants.

Entre as imagens que fiz para o livro Sawé, o grito ancestral | Aypapayũ Ewãwaãp a'õ, gosto bastante dessa ilustração de página dupla que mostra um encontro entre punhos que produz, na intersecção dos nós dos dedos, a imagem de uma formiga vermelha. O inseto faz referência à denominação Mundukuru, dada pelos rivais Parintintins aos Wuy jugu (nome de autodenominação original) porque os guerreiros munduruku atacavam em massa, feito formigas vermelhas, os seus territórios.

@ original illustration | Mauricio Negro

The illustrated portraits are of Jairo Saw Munduruku and the young activist Beka Munduruku from the Sawré Muybu village that is the creator of the female collective Daje kapap Eypi which fights for life and demarcation of Munduruku territory in the Middle Tapajós. check below the snapshots of visual and graphic workshops with children from different Munduruku villages.

Os retratos ilustrados são de Jairo Saw Munduruku e da jovem ativista Beka Munduruku, da aldeia Sawré Muybu, criadora do coletivo feminino Daje kapap Eypi, que luta pela vida e demarcação do território Munduruku no Médio Tapajós. Confira abaixo os flagrantes s da criançada de diferentes aldeias munduruku, durante as oficinas de produção de imagens e grafismos.
from left to right: cacique Jairo saw munduruku | worshop with children at Aldeia Praia do Mangue (Itaituba) | 
beka saw munduruku, communicator, ativist and young leader from the Sawré Muybu Indigenous Territory.

@ original illustration | Mauricio Negro

worKshop with children and educators | associação INDÍGENA pariri MUNDURUKU (Itaituba)
In addition to the mentioned books MERCURY AMAZON EIPI BE, Sawé, the ancestral cry | Aypapayũ Ewãwaãp a'õ and Gold mining in the Amazon: crime, contamination and death other didactic communication materials were produced by different professionals and independently just like Amazônia Sem Garimpo - Animation (Narration in Yanomami), another work carried out in partnership with Fiocruz to assess the impact of mercury in protected areas and forest peoples in the Amazon. Other materials will emerge to help spread resistance against mining, the destruction of the forest and the health of indigenous and non-indigenous people.

Além dos livros mencionados, MERCÚRIO AMAZÔNIA EIPI BE, Sawé, o grito ancestral | Aypapayũ Ewãwaãp a'õ and Garimpo de ouro na Amazônia: crime contaminação e morte, outros materiais didáticos de comunicação foram realizados por profissionais diferentes e de modo independente. Por exemplo, Amazônia Sem Garimpo - Animação (Narração em Yanomami)mais um trabalho realizado em parceria com a Fiocruz para avaliação do impacto do mercúrio em áreas protegidas e em povos da floresta na Amazônia. Outros materiais serão realizados, para ajudar a disseminar a resistência contra o garimpo, a destruição da floresta e da saúde de indígenas e não indígenas. 

"MUNDURUKU, CONDENADOS PELO MERCÚRIO", produzido pelo Departamento de Jornalismo da TV Cultura

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